domingo, 10 de junho de 2012

BANHO DE RIO (PELADO)


PÁGINA 4
Dia seguinte, após o café da manhã, papai já tinha ido para a fábrica de bolachas, mamãe às voltas com afazeres domésticos, eu fui saindo de fininho... tinha subido a rua Prudente de Morais por dois quarteirões, passando pela casa da Terezona (uma senhora espanhola) vi a Terezona estendendo roupa no varal e cantarolando alegre; subi mais um pouco e encontrei o Dilão descendo, junto com uma turma de meninos, correndo. Gritei para ele: Ô Dilão, onde vão com toda essa pressa”, no que ele respondeu: “tamo indo nadar, vem co a gente”. Juntei-me à tropa, correndo também para não ficar prá trás; ao passar por um mangueiral um dos moleques gritou: mija, mija, mijarela, quem não mijar é uma cadela. Parou um, pararam todos. Depois de todos “desaguarem” continuamos a correr. Passamos pela chácara da dona Alzira e logo após, um barranco; descemos o barranco, e ali estava o riacho (futuramente eu saberia que aquele riacho se chamava Córrego Retiro Saudoso). Todos, sem nenhuma cerimônia foram se despindo e pulando na água. Eu, sem jeito, fiquei olhando aquela festa. Admirado e com vontade, mas sem coragem, continuei olhando. O Nando, irmão do Dilão gritou: ô muleque, tira a roupa e pula n’agua. Aquele incentivo era o que faltava. Tirei a camisa, o short, sapato não tinha, e, pulei... Ah! Mas que farra boa...

3 comentários:

  1. Farra boa estás fazendo em nosso coração com estas recordações... obrigado!

    ResponderExcluir
  2. Sensacional!!!!! Senti como se eu estivesse assistindo a uma linda cena cinematográfica cujo protagonista é simplesmente meu pai!

    ResponderExcluir