terça-feira, 13 de julho de 2010

APÓS UM TEMPO INATIVOS VOLTAMOS...

ESTE BLOG FICOU INATIVO POR ALGUM TEMPO POR MOTIVOS ALHEIOS À MINHA VONTADE. AGORA, AOS POUCOS, IREMOS ALIMENTANDO A IMAGINAÇÃO DOS NOSSOS LEITORES COM LEMBRANÇAS DE UM TEMPO FELIZ e TEMOS A CONVICÇÃO QUE A FELICIDADE CONTINUA EXISTINDO... ELA ESTÁ POR AÍ.... TEMOS DE RESGATÁ-LA e PARA ISSO, TALVEZ TENHAMOS QUE LEMBRAR "COMO É SER FELIZ" PARA REPETIR, AGORA, COM MUITO MAIS EXPERIÊNCIA!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

FÉRIAS NO PARAÍSO

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Segundo dia.
Bem, como a nossa chegada a Ribeirão Preto foi logo no início do ano estávamos, logicamente em férias escolares...delícia...Após ajudar mamãe a arrumar algumas coisinhas, resolvi explorar o lugar, a chácara. Depois da nossa casa que era a penúltima da rua e da casa do Armando Javarone que era a última... a rua de terra continuava; na verdade não era bem de terra pura, tinha grama, alguns cascalhos..., e, seguia, não de forma reta como as ruas que conhecemos hoje, mas, um pouco tortuosa (várias curvas), ladeada por vários tipos de arvores frutiferas. Fui indo...fui apreciando a beleza do lugar, o cheiro de mato...ar puro... Abacateiros, jabuticabeiras, laranjeiras, mixiriqueiras, mamãozeiros, pés de caqui... Depois de andar e me deliciar com vários tipos de frutas e andar durante alguns minutos ouvi o barulho de carroça vindo ao longe, não à minha frente, mas atrás. Fiquei um pouco parado ouvindo o barulho que foi aumentando. Olhei para trás e vi ao longe uma carroça, não, um carroção, daqueles puxados por uma parelha de dois cavalos. Quando o carroção se aproximava de mim senti um cheiro característico, de lixo; é, de lixo doméstico, era um cheiro bom, um cheiro de lixo bom. O carroção passou por mim - ao passar um dos cavalos levantou o rabo e pimba, soltou suas bolotas de cocô que ficaram rolando por alguns segundos pelo pó da rua. Não fedia, o cocô dos cavalos da época eram apenas capim digeridos, tinham um cheiro diferente, mas não fedia. Segui curioso aquele carroção de lixo, corria para não perdê-lo de vista. A intuição de menino me dizia que eu iria me defrontar com algo inédito para mim. E foi... Quando o carroção parou e o carroceiro começou a puchar com a enxada aquele lixo, meu coração vibrou dentro do peito; percebi que naquele momento tinha encontrado uma das maiores riquezas da minha vida, uma riqueza que me trouxe muitas alegrias por anos; enquanto moramos naquele Jardim do Eden. O carroção de lixo foi embora, eu não; fiquei por alguns instantes admirando aquele monturo. Pela quantidade de lixo dava para perceber que aquele lugar era o lixão da cidade, ou pelo menos um dos... Olhei para um lado, para outro... estava tentando fazer um reconhecimento do lugar, antes de tomar alguma decisão. A primeira maravilha que vi, corri para ela imediatamente: era colorida e agitava ao sabor da brisa, peguei nas mãos e começei a folhear, todo feliz. Acho que foi o meu primeiro contato com o gibi do Pato Donald. Daquele dia em diante nunca mais deixei de ir ao "garimpo". Toda vez tinha alguma coisa que valia a pena, principalmente os gibis. Acredito que foram as histórias em quadrinhos responsáveis pela maior parte da minha alfabetização.
Ali era o meu mundo. Eu não sabia ou não pensava, que além daquele lugar o mundo tinha continuidade; para mim ali era o limite do mundo; me bastava, aliás, era infinito...com toda aquela quantidade de arvores que pareciam não ter fim. E o carrocão que vinha todos os dias, também para mim, continuaria vindo por todo o sempre... Que saudade!!!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Memória mais longínqua

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Eu tinha 11 anos, corria o ano de 1959 (início). Chegamos, anoitecendo, no caminhão baú (da Mabel - fábrica de bolachas); o motorista era o "Vartinho" amigo da família e titular transportador de bolachas, as quais faziam parte do receituário do Papai, meu pai (Laudelino Pires). Meu pai era gerente geral daquela fábrica que havia sido fundada em Mococa por volta de 1955, se não me falha a memória.
Eram tempos felizes: lembro-me como se fosse agora - está fresquinho na minha mente - meu pai e o Vartinho descarregando os móveis; a minha mãe (Cidinha) arrumando, malemá, as coisas, para mais tarde colocar tudo em ordem. Dona Zilda, amiga de primeira hora da mamãe trouxe um bule de café cheiroso e fresquinho, que serviu a todos nós; toda sorridente e prestativa colocou-se a inteira disposição de mamãe, para o que precisasse; eu e o Lininho - meu irmão de 15 anos - sem entender muito claramente o que acontecia só brincávamos e fazíamos as explorações pela nova casa, uma casa bem grande (é o que achávamos à época), com sala, copa, cozinha, quartos e banheiro; o quintal era todo cimentado com pedras que pareciam paralelepípedos, mas não eram paralelepípedos, apenas o tipo de pedra era o mesmo, porém de formato irregular. Ao fundo daquele quintal que no dia seguinte faríamos maiores explorações havia uma mureta de 1m de altura com um portãozinho de madeira que dava acesso ao restante da propriedade; para além desse portãozinho o chão não era cimentado, era terra e dava para ver, mesmo no escuro, que havia uma enorme arvore, que no dia seguinte descobriríamos ser um abacateiro. A Liliana, nossa irmã caçula com 5 anos, a todo momento trazia alguma fruta (laranja lima, mixirica) que ela colhia no "Jardim do Éden" (é como gosto de me referir àquele lugar onde a felicidade morou por alguns anos). O Jardim do Éden era a Chácara dos Javarones (família de imigrantes italianos) que se situava ao final da Rua Prudente de Moraes, Vila Seixas ou Beco das Cabras como ficou conhecida na história do bairro. Nossa casa n° 2101, era a penúltima da rua; após a nossa, a última era a casa do Seu Armando Javarone, um dos nove irmãos da família Javarone. No meio da rua de terra havia uma variedade de pés de tangerina, limão, laranja...Caminhão tinha de desviar das árvores. Eta tempo bão sô!!!