quarta-feira, 6 de junho de 2012

PACOTE DE FELICIDADE

PÁGINA 3
Bem, eu tinha, em 1959, onze anos. Com onze anos, cidade nova, pessoas diferentes, eu queria conhecer. O primeiro amigo foi o Sergio  (Dilão), um ano mais velho que eu. Eu e o Dilão tínhamos uma coisa em comum: gostávamos de "gibi"; ele tinha muitos, centenas de gibis. Na sala da casa onde ele morava (rua Prudente de Morais esquina com rua Guimarães Passos), naquela sala havia uma estante enorme, cheia de coleções inteiras: Tarzan, Cavaleiro Negro, Rock Lane, Hopalong Cassid, Mandrake, Fantasma o Espírito que anda, Dom Chicote, Namor o príncipe submarino, Príncipe Valente, Superman e muitos outros. Dilão me deixou à vontade, eu podia ler um, ou muitos. Fiquei extasiado com todas aquelas maravilhas; para mim o mundo era mágico, tanta felicidade ao meu alcance parecia um sonho. Lemos o dia inteiro, só paramos no almoço quando dona Helena, mãe do Dilão nos chamou: "meninos, venham comer, saco vazio não para em pé". Aquela mulher era a bondade em pessoa, sempre sorrindo, nunca a vi triste. Lemos até o anoitecer. Anoiteceu e eu não queria ir embora para minha casa, queria dormir ali, lendo e acordar no outro dia continuar a ler e viver, através dos quadrinhos todas as aventuras que os heróis viviam. Mas a dona Helena, com sua sabedoria, me disse: Laercio, sua mãe deve estar preocupada, vá para casa e volte amanhã. O Dilão não deixou que eu fosse de mãos vazias, pegou um paco de gibis (uns vinte), colocou em minhas mãos e disse: "volte amanhã". Eu peguei aquele paco de felicidade e fui...

2 comentários:

  1. Foi e, pelo jeito, continua indo, né não? Que coisa boa ouvir estes causos maravilhosos.
    Não pare nunca.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ô! Laerte, obrigado! Tenho que fazer isto, me faz bem lembrar... e... compartilhar...
      Abraços

      Excluir