quinta-feira, 12 de julho de 2012

Junho, mês de preparações, de esperas, de esperança...


Entramos no mês de junho e logo a Dona Zilda já começou as preparações das festas juninas: Dona Zilda gostava de comemorar todos os santos do mês: dia 13 Santo Antônio, dia 24 São João e dia 29 São Pedro. Era festa o mês inteiro, com muita gente, num misto de religiosidade, festança e comes e bebes; fogueira, batata doce, pé-de-moleque, paçoquinha, arroz-doce, cocada, milho verde assado, canjica, bolo de fubá e o delicioso quentão. Tudo isso preparado a muitas mãos, inclusive da mamãe que mesmo grávida, prestes a dar a luz, ajudou a preparar e servir todos os quitutes nos dias santos. A cada santo que se comemorava a Dona Zilda dizia a mamãe e papai:
- se nascer dia 13, vai se chamar Antônio; passou dia 13, ela repetia: 
- se nascer dia 24, vai se chamar João; passou dia 24, ela disse:
- vai ter de chamar Pedro. Durante todo o mês de junho, depois de tantas festas com rojões, fogueira, quentão... o assunto principal era o nascimento do filho do Sr Laudelino e dona Aparecida (meus pais). Então na véspera de São Pedro, aquela espectativa se confirmava, mamãe começou a ter as dores do parto. Papai chamou o Sr Roque, marido da dona Zilda e disse: "A Cidinha vai ganhar o nenê esta noite ou amanhã, diga pra dona Zilda que nós vamos ficar em casa e a nossa participação na festa de São Pedro será menor". O Sr Roque respondeu: “Laudelino, fique tranquilo, sua esposa já ajudou bastante, os convidados vão estranhar a falta de vocês, mas eu explico a todos que é problema de parto; diga para as crianças continuarem a participar da festança...” Papai e mamãe ficaram recolhidos e nós crianças continuamos nos divertindo:


Pula a fogueira Iaiá - Pula a fogueira ioiô - Cuidado para não se queimar
Pois essa fogueira já queimou o meu amor
O balão tá subindo - Tá caindo a garoa - O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João - São João - Acende a fogueira
do meu coração
Cai cai balão, cai cai balão - Na rua do sabão
Não Cai não, não cai não, não cai não - Cai aqui na minha mão !
Cai cai balão, cai cai balão - Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá - Tenho medo de apanhar !

Exatamente no dia de São Pedro mamãe foi levada para o hospital. Pois é, o Pedrinho, digo, o Laerte nasceu nesse clima de festa. Então, pelo gosto da dona Zilda seria Pedro, mas na última hora papai e mamãe resolveram mudar o nome para Laerte. Dona Zilda, que estava cotada para ser madrinha ficou até doente com essa história, pois ela tinha resolvido que seria Pedro. Mamãe e papai viajaram e quando voltaram, o Pedrinho, digo, o Laerte já estava batizado pelos Tios de São Paulo, Geraldo e Iracema. Dona Zilda e Sr Roque como bons amigos e bons vizinhos concordaram que o próximo “rebento” eles batizariam, sem problema.

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