Entramos no mês de junho e
logo a Dona Zilda já começou as preparações das festas juninas: Dona Zilda gostava
de comemorar todos os santos do mês: dia 13 Santo Antônio, dia 24 São João e
dia 29 São Pedro. Era festa o mês inteiro, com muita gente, num misto de religiosidade, festança
e comes e bebes; fogueira, batata doce, pé-de-moleque, paçoquinha, arroz-doce, cocada,
milho verde assado, canjica, bolo de fubá e o delicioso quentão. Tudo isso
preparado a muitas mãos, inclusive da mamãe que mesmo grávida, prestes a dar a
luz, ajudou a preparar e servir todos os quitutes nos dias santos. A cada santo
que se comemorava a Dona Zilda dizia a mamãe e papai:
- se nascer dia 13, vai se
chamar Antônio; passou dia 13, ela repetia:
- se nascer dia 24, vai se chamar João; passou dia 24, ela disse:
- se nascer dia 24, vai se chamar João; passou dia 24, ela disse:
- vai ter de chamar Pedro.
Durante todo o mês de junho, depois de tantas festas com rojões, fogueira,
quentão... o assunto principal era o nascimento do filho do Sr Laudelino e dona
Aparecida (meus pais). Então na véspera de São Pedro, aquela espectativa se
confirmava, mamãe começou a ter as dores do parto. Papai chamou o Sr Roque, marido
da dona Zilda e disse: "A Cidinha vai ganhar o nenê esta noite ou amanhã, diga
pra dona Zilda que nós vamos ficar em casa e a nossa participação na festa de
São Pedro será menor". O Sr Roque respondeu: “Laudelino, fique tranquilo, sua
esposa já ajudou bastante, os convidados vão estranhar a falta de vocês, mas eu
explico a todos que é problema de parto; diga para as crianças continuarem a
participar da festança...” Papai e mamãe ficaram recolhidos e nós crianças
continuamos nos divertindo:
Pula a fogueira Iaiá - Pula a
fogueira ioiô - Cuidado para não se queimar
Pois essa fogueira já queimou o meu amor
Pois essa fogueira já queimou o meu amor
O
balão tá subindo - Tá caindo a garoa - O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
E a noite é tão boa
São João - São João - Acende a fogueira
do meu coração
do meu coração
Cai cai balão, cai cai balão -
Na rua do sabão
Não Cai não, não cai não, não cai não - Cai aqui na minha mão !
Cai cai balão, cai cai balão - Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá - Tenho medo de apanhar !
Não Cai não, não cai não, não cai não - Cai aqui na minha mão !
Cai cai balão, cai cai balão - Aqui na minha mão
Não vou lá, não vou lá, não vou lá - Tenho medo de apanhar !
Exatamente
no dia de São Pedro mamãe foi levada para o hospital. Pois é, o Pedrinho, digo,
o Laerte nasceu nesse clima de festa. Então, pelo gosto da dona Zilda seria
Pedro, mas na última hora papai e mamãe resolveram mudar o nome para Laerte.
Dona Zilda, que estava cotada para ser madrinha ficou até doente com essa
história, pois ela tinha resolvido que seria Pedro. Mamãe e papai viajaram e
quando voltaram, o Pedrinho, digo, o Laerte já estava batizado pelos Tios de
São Paulo, Geraldo e Iracema. Dona Zilda e Sr Roque como bons amigos e bons
vizinhos concordaram que o próximo “rebento” eles batizariam, sem problema.
Nenhum comentário:
Postar um comentário