segunda-feira, 5 de julho de 2010

Memória mais longínqua

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Eu tinha 11 anos, corria o ano de 1959 (início). Chegamos, anoitecendo, no caminhão baú (da Mabel - fábrica de bolachas); o motorista era o "Vartinho" amigo da família e titular transportador de bolachas, as quais faziam parte do receituário do Papai, meu pai (Laudelino Pires). Meu pai era gerente geral daquela fábrica que havia sido fundada em Mococa por volta de 1955, se não me falha a memória.
Eram tempos felizes: lembro-me como se fosse agora - está fresquinho na minha mente - meu pai e o Vartinho descarregando os móveis; a minha mãe (Cidinha) arrumando, malemá, as coisas, para mais tarde colocar tudo em ordem. Dona Zilda, amiga de primeira hora da mamãe trouxe um bule de café cheiroso e fresquinho, que serviu a todos nós; toda sorridente e prestativa colocou-se a inteira disposição de mamãe, para o que precisasse; eu e o Lininho - meu irmão de 15 anos - sem entender muito claramente o que acontecia só brincávamos e fazíamos as explorações pela nova casa, uma casa bem grande (é o que achávamos à época), com sala, copa, cozinha, quartos e banheiro; o quintal era todo cimentado com pedras que pareciam paralelepípedos, mas não eram paralelepípedos, apenas o tipo de pedra era o mesmo, porém de formato irregular. Ao fundo daquele quintal que no dia seguinte faríamos maiores explorações havia uma mureta de 1m de altura com um portãozinho de madeira que dava acesso ao restante da propriedade; para além desse portãozinho o chão não era cimentado, era terra e dava para ver, mesmo no escuro, que havia uma enorme arvore, que no dia seguinte descobriríamos ser um abacateiro. A Liliana, nossa irmã caçula com 5 anos, a todo momento trazia alguma fruta (laranja lima, mixirica) que ela colhia no "Jardim do Éden" (é como gosto de me referir àquele lugar onde a felicidade morou por alguns anos). O Jardim do Éden era a Chácara dos Javarones (família de imigrantes italianos) que se situava ao final da Rua Prudente de Moraes, Vila Seixas ou Beco das Cabras como ficou conhecida na história do bairro. Nossa casa n° 2101, era a penúltima da rua; após a nossa, a última era a casa do Seu Armando Javarone, um dos nove irmãos da família Javarone. No meio da rua de terra havia uma variedade de pés de tangerina, limão, laranja...Caminhão tinha de desviar das árvores. Eta tempo bão sô!!!

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